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Re-tornando ao Caminho, assim re-começa o blog CAMINHOS DE SANTIDADE

Fonte: Acervo particular de fotografias do Blog Caminhos de Santidade. Proibida Reprodução.
Luiz Santinácio*

O texto que passo a transcrever consta no livro "Caminhos de Santidade - Um itinerário espiritual com Paulo de Tarso, Bento de Núrcia e Brnardo de Claraval - Ascese e Mística" como "Epílogo", ou seja, as palavras finais, o resumo de todo o livro condensado numa culminância simplória mas, com bastante propriedade àqueles que buscam o Caminho.
"As pessoas que na orientação de suas vidas buscam inspiração nas Sagradas Letras dão-se conta de que os caminhos apontados apresentam grandes dificuldades em termos de processo.
O Senhor Jesus definiu a si como "Caminho", nunca enganou com falsas promessas. Para quem se dispunha a acolher seus ensinamentos deixou claro que é necessário renúncia de si, tomar a cruz - a cruz de cada dia - e por-se no seguimento discipular, deixar-se formar pelo Divino formador: o Espírito Santo, o Ruah de Deus.
De acordo com sua indicação é preciso entrar pela porta estreita - cá uma metáfora - porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição - e qual seria este caminho em nossa realidade tão contemporaneizada, tão relativizada, tão complexa sem que seja complicada? Onde se percebe a inversão de valores, a vivência de contra-valores e a derrogação do bem mais precioso ao Homem: sua dignidade? Muitos são conduzidos por realidades conjunturais à marginalidade, ao crime, em suas mais variadas facetas e, a violência crescente inunda toda Sociedade humana. Todos nós buscamos uma sobrevida à vida.
E, continuando, a um jovem que se aproxima - pode ser você que está a ler este texto ou mesmo a mim - buscando caminhos de perfeição o Senhor Jesus sugere que distribua seus bens aos pobres e se coloque no Caminho. A proposta é feita a nós, em nossa actualidade... E ai? Distribuir aos pobres? Mas quem são os pobres da nossa realidade? Cá não quero nomeá-los, também porque não tenho tantos bens para dar ou dividir. Mas a pergunta que não quer calar... Os pobres! Quem são? Onde estão? Há alguns dia atrás estava numa cidade do Nordeste do Brazil, numa longa permanência de quase quatro meses em terras brasilianas e deparei-me com os supostos "pobres" que batem de porta em porta a pedir "um dinheirinho PARA VIAJAR", "um trocadinho para comprar remédios", "uma verba para comprar umas madeiras para cobrir o barraco"... àquelas estórias tão conhecidas em muitas partes do Planeta, não só no Brazil. A pobreza, em muitas paragens institucionalizou-se. Numa outra vilazinha um Jornalista amigo sentiu-me com olhos marejados depois que "pobre" narrou-lhe uma estória tão piedosa e conseguiu arrebanhar dez reais (moeda brasiliana) do meu caro Cardoso (não é se trata do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso). E, vi-me a meditar neste texto que eu mesmo havia e resolvi contemporizá-lo: Senhor, onde estão os teus pobres e onde minha riqueza para condividir? Não os enxergo, pois que são muitos os chapeus, as boinas, os bonés... Os caminhos por onde andam são permeados de luta, luta armada como que em revolução geradora de violência... E Tu, através do Apóstolo ensinas que onde há violência o Espírito que procede de Ti e do Pai lá não repousa. Para onde caminham, Senhor? Meus irmãos mais novos se amam e são prostituídos pela Sociedade pseudo-moralista... Dizem-nos à margem da Sociedade e são "expurgados" do "Caminho" por aqueles que te são representantes mais céleres em condenar que agir conforme teu gesto de amor.
Em face de tudo o que o Mestre de Nazareth propõe é necessária uma atitude de pleno desprendimento. Não há, nos gestos e nas atitudes do Senhor Jesus, nenhum indício de complacência na dificuldade e no sofrimento. Mais ainda, em momento algum diz que as pessoas devam ser submetidas a qualquer espécie de privação. À própria vida, em seu dinamismo para crescimento, implica renúncias de toda espécie, Enfrentá-las com dignidade buscando plenitude constitui elemento essencial para quem deseja percorrer os caminhos espirituais e, quiçá, viscejá-los cá na temporalidade, os caminhos do Senhor. Seja com Paulo de Tarso, Bento de Núrcia, Bruno, Bernardo, Inácio Antioqueno, Joaõ Boca-de-Ouro, Agostinho Hiponensis, Aquinate, João da Cruz, as três Teresas, Catarina Sienensis, João XXIII, João Paulo, o Grande e tantos outros mártires da Fé, seja a Fé católica, seja a Fé anglicana, seja a Fé Ortodoxa Grega, Maronita, Melquita, Siríaca, Copta, Russa, Ucraniana, Latina, Judaica, Muçulmana, Luterana, Calvinista, Presbiteriana.
Muitos pensarãio e dirão que Luiz Santinácio é um louco (cf. 1Cor 1, 22ss), que minha letra é utopia. Outros indagarão e indagar-se-ão se quem assim procede anda nos caminhos do Senhor. E, qual é o "caminho" que conduz realmente a Deus e que deva ser seguido?
Às indagações pertinentes nas consciências hodiernas - não estou a xingar ninguém - quanto a tais caminhos respondo remetendo-as com sincera e humilde simplicidade, como respondera o cardeal Ratzinger, ao ser indagado pelo jornalista Peter Seewald sobre o mesmo quesito: "(...) quantos caminhos existem, ao todo, para Deus. O Cardeal não precisou de muito tempo para responder. Disse: tantos quanto há pessoas" (Ratzinger, J. O Sal da Terra. O Cristianismo e a Igreja Católica no limiar do Terceiro Milênio. Um diálogo com Pter Seewald, p. 8. Trad. Inês Madeira de Andrade. Imago Editora, RJ, 1997). Nesta perspectiva, o meu livro Caminhos de Santidade quer ser mais um caminho, entre tantos, para conduzir (cf. 1Tm 1, 4-7), sog a égide da Igreja, Mãe e Mestra, homens de desejos a Deus e provocar encontros ímpares da criatura com o Criador pois, "se verifica hoje, não obstante os vatos processos de secularização - e, completo eu, de cientificismo e racionalismo - uma generalizada exigência de espiritualidade, que em grande parte se exprime precisamente numa renovada carência de oração" (Joçao Paulo II, Novo Millenio Ineunte, n. 33; cf. L'Oservatore Romano, 13/12/2003, edição portuguesa, p. 3), lembrando sempre "nas coisas de Deus, somente o mais perfeito é conveniente" (Karl Josef Romer).

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*Luiz Santinácio é escritor.

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