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Amor e Sofrimento: uma luz no fim do túnel

Foto do acervo do Blog Caminhos de Santidade. Reprodução Proibida.
 Bom distinguir sofrimento de perseguição, como o faz as Letras Sagradas. Conhecer-lhes a origem, a natureza, o fim.
O sofrimento é o meio eficaz para deter o homem na sua sede de prazer pelo qual subverte a natureza, afasta-se de Deus e se audestrói1.
Não se consegue ir muito longe no caminho dos nossos gostos errados. Alguma coisa ou alguém se encarrega de nos segurar. Jamais vira de forma tão evidente a missão da dor na vida do homem. Que seria do homem sem o efeito da dor física? Quem o poderia deter? Quem o adverteria sobre o mal que ele faz a si próprio? Quem lhe haveria de mostrar com energia as consequências dos seus exageros, das feridas infligidas à natureza?
O homem é livre para farrear e viver subvertendo a ordem das coisas, mas encontrará infalivelmente no seu caminho o sofrimento que o lançará por terra.
Tem liberdade para se afastar de Deus que é ordem, natureza, vida; mas Deus, justamente ele, circunda tudo isso com uma tal sebe, enche-lhe o caminho com tais espinhos, que à força convence o homem de que é melhor parar e talvez, voltar atrás.
O homem não conseguirá frustrar a natureza que é um grande sinal de Deus. Pode parecer tolice mas o que aconteceria se não houvesse a dor para sensibilizar-nos a tempo, para advertir-nos? O homem é tão doente pelo pecado, é tão sedento de prazer que se não encontrasse a barreira da dor, tornar-se-ia satânico em pouco tempo. Nada impediria suas vontades. Estaria disposto a caminhar sobre cadáveres, contanto que satisfizesse suas exigências. E não estamos vendo nos ricos e nos poderosos a possibilidade de destruição? Aonde não chega um poderoso na sua ganância de possesso? Na sua capacidade de esmagar os fracos?
Eis o por quê da dor: advertência.
Nossa fuga é a prova de que não cremos em Deus, não cremos na vida, na luz, no amor. O Pai, que é amor, sabe que não se pode impor o amor e por isso deixa-nos fugir. Alguém deve ter dito, outrora, Deus não existe. Impossível é para Deus que é pai suportar a dor do filho. Tenho a nítida e clara impressão do contrário justamente porque Deus existe. Ele inventou a dor para ir atrás de mim, de você, de cada um de nós.
O amor tem uma lógica inexorável e sei que ele me ama muito. Seu amor o leva a envenenar minha fuga. Não quer que eu fique longe dele, nem pode suportar semelhante pensar. Deixou-me partir em liberdade mas tramou as coisas de modo que obrigo-me a voltar.
O sofrimento tem a missão de advertir, corrigir, educar a quem está fora do Caminho. Então, é difícil entender que Deus é amor?
Penso que não, porque Deus nos criou para Si e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousar2.

1Cf. Lc 15, 17s
2S. Agostinho, Confissões

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