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Transforme a Teologia e o pensamento pós-moderno em anúncio da Boa Nova

FORMAÇÃO TEOLÓGICA
Transforme a teologia e o pensamento pós-moderno em anúncio da Boa Nova
POR LUIZ SANTINÁCIO*

Recentemente o papa Bento instituiu o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização e propôs à Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos estudar o tema Nova Evangelizatio ad christianam fidem tradendam. Em seu Motu proprio, Bento XVI esclarece: os nós ou os desafios que eu pretendo levar em consideração e aos quais eu gostaria de tentar dar uma resposta de fé são o cientificismo, o secularismo e o racionalismo. O apóstolo Paulo classifica esses desafios como as muralhas e fortalezas que se levantam contra o conhecimento de Deus (cf. 2Cor 10, 4).
O Papa João Paulo foi claro: “o cientificismo é uma concepção filosófica que se recusa a reconhecer formas de conhecimento distintas daquelas que são próprias das ciências positivas, relegando para o âmbito da pura imaginação tanto o conhecimento religioso e teológico, como o saber ético e estético”.
Trata-se de uma forma nova de pensar, e que alcança a Igreja em todos os âmbitos e, primordialmente, o Clero. Sua metodologia tem por trás uma lógica secularizante, secularizada e secularizadora que modifica o modo de ser, de agir, de pensar dos membros da Igreja, suas opiniões e consciências crítico-reflexivas, modificar as consciências individuais alcançando o consciente coletivo, firmando a não-necessidade da hipótese de Deus, ou seja, a inutilidade da Divindade.
O cientificismo retira do centro do universo o próprio Cristo. Reduze-o a um acidente histórico, isolado do cosmo como um episódio postiço, um intruso ou um perdido na imensidão hostil e esmagadora do Universo, conforme Blondel. Atua o cientificismo na Cultura, na mentalidade do Homem. Sentem-se excessos no ecologismo e no âmbito religioso com formas difusas de religiosidade onde o contato e a sintonia com a energia do cosmo tomam o lugar do contato com Deus, como caminho de salvação.
O beato Newman, nove anos após a publicação da obra de Darwin sobre a evolução das espécies, quando não poucas pessoas mostraram-se conturbadas e perplexas, ele assegurou, exprimindo um juízo que antecipava o juízo atual da Igreja sobre a não incompatibilidade da teoria com a fé católica: “Como o Criador descansou no sétimo dia após o trabalho realizado e ainda hoje ele continua agindo, assim ele comunicou de uma vez por todas o Credo no princípio e continua favorecendo seu desenvolvimento e garantindo seu crescimento”.
Expressão concreta da Igreja frente a tal realidade é a Academia Pontifícia das Ciências, onde cientistas renomados de todo o mundo, crentes e não-crentes, encontram-se para expor e debater suas ideias sobre problemas de interesse comum à ciência e à Fé. A Igreja entende que toda argumentação cientificista revelaram-se falsas, não do ponto de vista do raciocínio ou da argumentação teológica e da fé, mas da própria análise de resultados da ciência e das opiniões de vários cientistas ilustres do passado e do presente
A teologia latina insiste que o propósito da vida não é a divinização, mas a aquisição da santidade, mediante a conversão. O Verbo fez-se carne, fez-se homem para redimir a Humanidade e para pagar a dívida com a justiça de Deus. Depois de Agostinho Hiponensis, a teologia latina insiste acerca daquilo que o Cristo veio tirar: o pecado.
Santidade, eis a condição essencial da nova criatura (cf. 2Cor 5, 17) que participa da própria vida divina.
A santidade é a ausência de pecado e a total dedicação a Deus. E o estado de graça habitual. A santidade como dom é fruto do batismo, sacramento renovador (cf. 1Cor 1,1). Aumentando-se a graça, aumenta-se a santidade
A santidade se manifesta nos frutos da graça que o Espírito Santo produz nos fieis e o apóstolo Paulo apresenta a lista dos frutos do Espírito Santo diante dos quais se verifica se alguém tem ou não, em si, a presença atuante do Espírito de Deus. Existe a presença do Espírito onde há amor, alegria, paz, mansidão, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio, castidade.
E, mais ainda, quando o contrário se observa, não está presente o Espírito Santo. Se se observa as obras da carne: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, divisões, inveja, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas, a Comunidade, o Pastor, o redil não caminham à luz do Espírito.
Todos são chamados à santidade: Bispos, Sacerdotes, Diáconos, candidatos à vida religiosa, religiosos, consagrados, os esposos e pais, todos, indistintamente.
A Igreja indica os meios para responder ao século: A Palavra de Deus, a participação nos Sacramentos, sobretudo, a Santíssima Eucaristia após a devida participação no Sacramento da Penitência e Reconciliação (Confissão); oração pessoal e comunitária; serviço aos irmãos; exercício das virtudes à imitação de Cristo em meio às perseguições e, sobretudo, a purificação dos afetos.
Há, ainda, os meios específicos: os Bispos conformem-se à imagem de Cristo; os Sacerdotes procurem viver o próprio sacerdócio, cresçam no amor a Deus e ao próximo, comunhão fraterna entre si, testemunho vivo de Deus, imitação dos santos sacerdotes do passado que deixaram preclaro modelo de santidade, tomar consciência do que fazem e imitar o que celebram, saber haurir dos próprios trabalhos pastorais, apesar dos perigos e dificuldades, uma santidade mais elevada, alimentar seu apostolado pela abundância da contemplação, estar em comunhão com o seu Bispo. Os Diáconos devem guardar-se puros de todo vício e agradar a Deus. Os Clérigos conformem sua mente e seu coração à graça da vocação divina, cultivando a oração assídua e a piedade. Os Esposos e Pais encontrem fonte de sua santificação seguindo o próprio caminho, em amor fiel.
Não hesite, pois, abrir os ouvidos à recomendação do apóstolo Pedro: “Como é santo Aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo” (1Pd 1, 15-16).

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*Luiz Santinácio é Escritor.


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