Se conhecesses o dom de Deus



A santidade cristã é aquele “tesouro escondido no campo” do qual fala Mateus e que desperta o interesse no homem, o qual não compra o tesouro, mas compra o campo[i]. Vamos, pois, comprar este campo sem nada pagar porque é Dom, diz o profeta Isaías; e, preparemo-nos para explorar-lhe as riquezas e depois cumprir com os deveres exigidos.
             




Diz Isaías:
“Todos que tendes sede, vinde à água. 
Vós, que não tendes dinheiro, vinde, 
comprai e comei; comprai, sem dinheiro e sem pagar...”[ii]

            A vida sobrenatural

          A vida sobrenatural tem início com o Dom da graça santificante. É dada no batismo e quando perdida pelo pecado grave recupera-se pela penitência, isto é, conversão a Deus “desprezado[iii]  por aquele que escolhe contra Deus.
       A graça vem a ser o fundamento espiritual para o cristão poder agir sobrenaturalmente porque enxertando-se na essência da alma eleva, por assim dizer, ontologicamente o homem tornando-o filho do Pai, irmão de Cristo, espiritual no Espírito, verdadeiramente santo, imagem do Senhor, súdito do Reino, testemunha da Cidade celeste, perfeito no sentido radical, símbolo escatológico da Comunidade dos eleitos, louvor da Trindade, resplendor da Igreja[iv]. A graça é o maior Dom do Pai ao ser humano e vale a pena lutar e sofrer por ela: “A vossa graça vale mais do que a vida”[v] e é a razão da vinda do Filho à terra: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância[vi].
           A graça é uma disponibilidade que por si não está ordenada a agir. Sendo uma qualidade divina faz do batizado participante, de maneira real, embora acidental, da natureza e da vida de Deus, conforme a ousada expressão de São Pedro: “nos foram dadas as preciosas e grandíssimas promessas, a fim de que assim vos tornásseis participantes da natureza divina”[vii]. Este processo transformativo chama-se deificação do homem e para São João é a maior expressão do amor do Pai: “Vede que prova de amor nos deu o Pai. Sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos”![viii].
               Como duvidar? Só os incrédulos duvidam porque não conhecem a Deus. Antes, ignorado-O, desprezam-No.


[i] Mt 13, 44
[ii] Is 55,1
[iii] 2Sm 12, 10
[iv] G. Thils. Santidade Cristã, pp. IX-X
[v]  Sl 63(62), 4
[vi] Jo 10, 10
[vii] 2Pd 1, 4
[viii] 1Jo 3, 1

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