A pacata vida de um povo: POVO marginalizado



Acervo do blog Caminhos de Santidade. Reprodução proibida.


Luiz Santinácio*

Às margens do velho rio, inúmeras comunidades, muitas delas remanescentes de tribos e/ou Nações indígenas enraizadas no solo Terra Brasilis, numa intensa relação homem-meio ambiente, naquela interação que faz crer numa co-responsabilidade e/ou naquela mútua responsabilidade; de mútua manutenção das fontes de vida que pululam no vasto horizonte da vida que visceja e insiste em proclamar vida. Dos mananciais aquíferos, muitos dos quais não mais pujantes como dantes.
Outros, agonizando e agonizantes frente aos desmandos duma realidade política atroz e, desprovida de vontade política. Sem exageros, numa vontade insana, genocida. Sim! Genocida por tolher a vida de muitos daqueles que sobrevivem do alento agonizante de um rio que morre mas, insiste em dizer vida! Um rio que não se retrai, dando de si para um Povo, para uma Nação ribeirinha, nordestina, enganada pela mão agalanada, mão que ostenta um pseudo-fiel galardão, como uma chibata a lançar lancinante grito no lombo do povo atado ao tronco duma vida desprovida de vida, numa subumanidade visível, atroz, faminta de pão e de justiça.

A realidade do velho rio é símile, lembrando Odete de Barros Mott, em sua obra “A transa-amazônica – Uma grande Ilusão”, ao grande projeto envergado por governantes do ontem, no anseio de “unir” todas as realidades brasileiras, numa cosmovisão: a grande ilusão do construir uma rodovia que cortando vastas regiões desse imenso País, qual um gigante adormecido em berço esplêndido, do centro-oeste ao norte e, do norte ao nordeste-sudeste-sul tornaria tudo mais célere. A grande rodovia almejava alçar outros polos, outros Países, até! Cortam o rio, dividem o rio! Cortam as florestas e matas! Derrubam árvores em nome de um pretenso progresso! Dividem-se as terras, crescem as sojas, entre elas, a transgênica.
Acervo do Blog Caminhos de Santidade. Reprodução proibida.
À floresta, tal como o rio, gemeu! O home do seringal foi assassinado! À discípula da fé tornou-se mártir entre os povos do norte e, da Floresta. Sua blindagem era serena e simples: o Livro! O seringal nos deu uma mulher forte no pensar e no agir, mas de constituição simples. Inserida nas letras e na sabença tardiamente, mas, ilustre, intelectualizada, como aquele que na França bebeu de Lévy. Àquela intelectualizada, douta e humilde figura entre àquelas outras que tem potencial para salvar o Planeta. À mulher da floresta!
A floresta brindou-nos com árduos defensores do Planeta, mas, as fazendas de soja insistem e persistem em avançar, concomitantemente às fazendas de gado, mantendo-se dominadoras contra toda esperança de um povo simples e varonil.
A Nação primeva vê-se, mais uma vez, preterida, expulsa, acuada, injustiçada. O homem, simplesmente o homem quer ser poder! E assim, numa ânsia desmedida e incontida avança, na calada da noite mascarada, floresta adentro para derrubar, queimar, expulsar, matar lançando um lancinante grito banhado de sangue: Quero Poder!
À beira do velho rio a água se compadece e brada: toma-me do pouco que ainda tenho e do que sou, sacia tua sede, povo meu!
À beira do velho rio as mulheres simples, pobres e nuas; de consciências in-conscientes lavam seus utensílios. Lavam suas roupas. Lavam a si e aos pequenos. Lavam aos seus pequenos esperando contra toda esperança a vinda duma realidade mais justa e mais digna! Nesse momento, elas veem a água ir-se, sabe lá para onde.
Acervo do Blog Caminhos de Santidade. Reprodução Proibida.

Disseram: dividamos a água para que o progresso venha, não apenas aqui. Tal dito se disse lá nos idos, antes da Nova Glória existir. Igual letra, igual forma, igual palavra. A vazão se esvaiu, a água se foi, o leito mirrou, as croas surgiram, os peixes se foram, os bancos de areia surgiram como novas terras a se conquistar. Para o ribeirinho o crédito não chegou! Chegou o cala-boca-da-pesca, durante quatro meses de um ano. Chegou o cala-boca-do-instituto-social-das-bolsas! Chegou a areia! Chegou, ficou, está!

E hoje, para festejar, numa moradia condizente, cinco mil reais chegará(?) para cada Família paquiana a casa arrumar.
Viva a democracia de houssel!
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*Luiz Santinácio é escritor, um expectador da vida.






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