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A Carta ao Amor que não é amado


Hino ao Amor


Ainda que eu falasse línguas,

as dos homens e as dos anjos,

se eu não tivesse o amor,

seria como um bronze que soa

ou como um címbalo que tine.

Ainda que eu tivesse o dom da profecia,

o conhecimento de todos os mistérios

e de toda a ciência,

ainda que tivesse toda a fé,

a ponto de transportar montanhas,

se não tivesse o amor,

eu nada seria.

Ainda que eu distribuisse

todos os meus bens aos famintos

ainda que entregasse o meu corpo às chamas,

se não tivsesse o amor, isso nada me adiantaria.

O amor é paciente, o amor é prestativo,

não é inevjoso, não se ostenta, não se incha de orgulho.

Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio

interesse, não se irrita, não guarda rancor.

Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade.

Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais passará.

Quanto as profecias, desaparecerão.

Quanto às línguas, cessarão.

Quanto à ciência, também desaparecerá.

Pois o nosso conhecimento é limitado,

e limitada é a nossa profecia.

Mas, quando vier a perfeição,

o qual é limitado, desaparecerá.

Quando eu era criança, falava como criança,

pensava como criança, raciocinava como criança.

Depois que me tornei homem,

fiz desaparecer o que era próprio da criança.

Agora vemos em espelho e de maneira confusa,

mas, depois, veremos face a face.

Agora o meu conhecimento é limitado,

mas, depois, conhecerei como sou conhecido.

Agora, portanto, permanecem a fé, esperança e amor,

estas três coisas.

A maior delas, porém, é o amor[1].







A carta aos Coríntios não é a única a designar o Amor como sumo bem. Os principais escritores do Cristianismo são unânimes neste ponto. O apóstolo Pedro: Acima de tudo, cultivai, com todo o ardor, o amor mútuo[2]. E o apóstolo João: Quanto a nós, porque ele nos amou primeiro. Se alguém disser: 'Amo a Deus', mas odeia o seu irmão, é um mentiroso, pois quem não ama seu irmão a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar. Este é o mandamento que dele recebemos, aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão[3].

Por ser o amor o sumo bem, o Apóstolo o chama a plenitude da Lei[4]. O que ele queria dizer com isso? Para os homens do Antigo Testamento, para se chegar ao Paraíso era preciso observar o Decálogo e mais uma centena que lhes haviam acrescentado os fariseus.

Para facilitar o caminho, Paulo apóstolo escreve para os cristãos: vou indicar-vos um caminho que ultrapassa a todos[5]; e, na carta aos Efésios diz que esse caminho fácil é o amor: andai em amor[6]. Realmente, caminhando pela via do amor, será muito mais fácil cumprir não somente o Decálogo mas, ainda, tudo aquilo que o Senhor pedir.

Quaisquer dos Mandamentos, abraçados no amor, dá a alegria de poder contentar o Pai. O primeiro, por exemplo: Não terás outros deuses diante de mim[7]. Ora, quem ama a deus, nunca sonharia substituí-lo por um outro deus. O amor é o cumprimento do primeiro Mandamento.

Não pronunciarás em vão o nome do Senhor teu Deus[8]. Quem, amando, ousaria pronunciar o Nome de Deus em vão? E para quem ama, não é necessário recordar-lhe que deve santificar o dia de festa. Sente-se feliz em dedicar, entre os dias da semana, um para o Amigo. E, assim, por diante. Quem ama, honra pai e mãe. Quem ama, nunca pensa em matar alguém. Antes, faz como fez Jesus, dá a vida pelo amigo[9].

Quem ama, não rouba, não mente, não cobiça os bens alheios, nem a mulher do próximo. Contenta-se com o necessário, como aconselha o próprio Apóstolo: Se temos alimento e vestuário, contentemo-nos com isso[10]. Quem ama, evita toda impureza, porque sabe que é um templo de Deus e que o Espírito Santo habita nele[11].


Deus não nos chamou para a impureza,

mas sim para a santidade.[12]








[1]   1Cor 13
[2]   1Pd 4, 8
[3]   1Jo 4, 19-21
[4]   Rm 13, 10
[5]   1Cor 12, 31
[6]   Ef 5, 2
[7]   Ex 20, 3; Dt 5, 7
[8]   Ex 20, 7
[9]   Jo 15, 13
[10] 1Tm 6, 8
[11] 1Cor 3, 16; 6, 19
[12] 1Ts 4, 7

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