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A nova Páscoa: Eucaristia, fonte e vida da Igreja e de todos os corações.



Luiz Santinácio*


O Mestre de Nazareth celebrou a páscoa judaica desde os doze anos (cf. Lc 2, 41-51; Jo 2, 13-25; 6; 7; 13). A última páscoa judaica que celebrou na terra Jesus quis que fosse particularmente solene (cf. Jo 13, 1), quer dizer, até ao extremo do amor (cf. Lc 22, 19).
No momento das bênçãos rituais destinadas ao pão e ao vinho Jesus enxerta e institui a Eucaristia, sacramento do amor, sacramento do seu Corpo e do seu Sangue. Dando a comer o seu corpo e a beber o seu sangue derramado o Senhor Jesus descreve a sua morte como sacrifício da Páscoa nova da qual ele é o novo Cordeiro (cf. Mc 14, 22-24).

Já não é necessária a celebração da páscoa mosaica, nem imolar o cordeiro do antigo Êxodo (CF. Ex 12), figuras que o Filho de Deus atualiza e realiza.
Por um ato decisivo de sua vontade, pois  tinha plena consciência de sua filiação divina, de ser Filho do Deus Altíssimo, de ser Deus de Deus, Luz da Luz, Deus invisível do Deus invisível, gerado não criado, consubstancial ao Pai, ordena aos seus: "Fazei isto em memória de mim" (Lc 22, 19).
O Príncipe da Paz confiou a elementos o valor eterno de sua morte redentora, consumou e fixou para os séculos esta homenagem de si mesmo e de todas as coisas a Deus constituindo o específico da religião e o essencial de sua obra redentora: na sua pessoa oferecida na cruz e, na santíssima Eucaristia, toda a Humanidade e o Universo que é a sua moldura retornam ao Pai de todas as luzes. essa riqueza da Eucaristia, que a coloca no centro do culto cristão e no coração da Igreja.
Não foge, pois, aos liturgistas a riqueza única do mistério pascal de Cristo na Sagrada Liturgia da Igreja (cf. MR, Prefácio da Páscoa I, III, IV, V; e , Prefácio da Eucaristia I).
Oferecendo-se a si mesmo pela salvação do gênero humano, Jesus instituiu o sacrifício da Nova Aliança e mandou que celebrássemos em sua memória e, na santa Ceia, a memória da cruz salvadora permanecesse para sempre (cf. MR, Prefácio da Eucaristia II).
Portanto, é mister participar bem da Eucaristia, sacramento que torna presente em nós, em nossas vidas a redenção, conforme ensina o apóstolo Pedro 9cf. 1Pd 2, 9).
Ter presente este princípio doutrinal do Concílio Ecumênico II Vaticano é importante: "Sua humanidade, na unidade da pessoa do Verbo, foi o instrumento de nossa salvação" (SC, n. 5). aí o valor infinito das obras humanas do Redentor na Terra. Quando Jesus, em sua vida terrena toava os leprosos e os curava, restituía à vista aos cegos, chamava os mortos à vida (cf. Lc 6, 19), caminhava sobre as águas, mandava nos ventos e ondas do Lago, era a mão do Verbo encarnado, a voz do Verbo encarnado, os pés do Verbo encarnado, era o próprio Deus vindo a nós.
Com esta mesma força divina o Senhor Jesus opera na Liturgia e nos Sacramentos (cf. SC, n. 7); e, para que as ações litúrgicas atuem realmente em quem as celebra ou as receba é preciso ter a fé daquela Mulher do Evangelho que sofria de fluxo sanguíneo e foi curada ao tocar as roupas do Médico divino (cf. Mc 5, 27-34).
Quando o Senhor Jesus perguntou quem tocou em suas vestes ele quer dizer quem fez este gesto de fé e foi salvo. A multidão não pode tocar, pode comprimir, empurrar mas, não tocar com fé.
A veste, além de proteger o corpo contra as intempéries do tempo. aparece também como um sinal da pessoa humana em sua identidade e em sua distinção. A carne humana do Senhor Jesus velava a sua divindade.

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*Luiz Santinácio é escritor. Colabora eventualmente com o blog Du Prêcheur.

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