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Um grande abismo




Pe. Paulo Bazaglia, ssp*


Com a parábola do homem rico e Lázaro, Jesus ilustra as palavras que havia dito no sermão da planície: "bem-aventurados os pobres", "ai de vós, ricos" (Lc 6, 20.24).


Seria muito simplista imaginar que no ensinamento de Jesus, quem é rico vai para o inferno e quem é pobre vai para o céu, simplesmente por ser rico ou pobre. O que a parábola questiona é nossa atitude e responsabilidade perante um "grande abismo", com uns acumulando e esbanjando riqueza, indiferentes às necessidades e sofrimentos de outros que sofrem a fome e a humilhação. Afinal, como estamos ajudando a diminuir o grande abismo existente na sociedade em relação aos bens que Deus criou para todos, mas que acabam nas mãos de poucos?

Na lógica do reino de Deus, o rico que não ouve Moisés e os profetas não passa de um anônimo, alguém cujo nome não está escrito no livro da  vida, já que desperdiça a existência no egoísmo, indiferente à lei da vida e da dignidade que Deus quer ver garantida para todos. Lázaro, em vez, é o pobre que tem nome, e um nome que remete ao próprio Deus, o qual se identifica com o pobre necessitado. Lázaro, de fato, significa "Deus socorre".

O papa Francisco muito tem alertado sobre a cultura do descartável e da indiferença diante de tantos e tantos Lázaros de hoje, insistindo que "o amor pelos pobres está no centro do Evangelho". Nós, cristãos, somos chamados a ir ao encontro, a descobrir nos sofredores o rosto do próprio Cristo, a construir pontes e diminuir abismos, a rejeitar a idolatria da riqueza que torna as pessoas insensíveis ao clamor dos pobres.

Somos seguidores de um Mestre que se moveu por compaixão e demonstrou amor com gestos concretos. Esta nossa vida, presente de Deus, é a ocasião que temos para amar e manifestar compaixão pelos que sofrem a fome e a dor. Pois, se não amarmos estes nossos irmãos que vemos, como poderemos dizer que amamos a Deus a quem não vemos (cf. 1Jo 4,20)?

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*Pe. Paulo Bazaglia (2016), Um grande abismo: O Domingo, Ano LXXXIV, Remessa XII, nº 45,  p. 4. São Paulo: 25/09/2016. 

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