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Vétero-testamento: Escritos Proféticos

Isaías, filho de Amoz (não Amós, o profeta vaqueiro), nasceu por volta de 765 AC e viveu na corte dos reis de Judá. Há indicações de que talvez fosse primo de UziasEscribae relator dos anais históricos da casa davídica, tinha preeminência e liberdade suficiente para transitar próximo ao poder político e tomar conhecimento, em primeira mão, das políticas e estratégias do Estado monarca judeu.
Letrado, culto e politicamente privilegiado, pode ter feito parte da casta sacerdotal de Jerusalém.
Em 740 AC, ano da morte do Rei Uzias (ou Azarias ou Ozias), ele recebeu sua vocação profética, e exerceu seu ministério por quarenta anos, numa época de crescente ameaça que a Assíria fazia pesar sobre os Reinos de Israel e Judá, durante os reinados de JotãoAcaz e Ezequias, e provavelmente também, durante seus últimos oito anos de vida, sob a opressão maligna do reinado de Manassés, que mandou serrar Isaías ao meio quando o profeta tinha 92 anos de idade, segundo um livro apócrifo do século I DC, Vida dos Profetas, escrito por um anônimo judeu da Palestina. Isaías, foi o primeiro profeta dos Profetas Maiores.
Rolo manuscrito de Isaías.

Pluralidade de autores

Embora a teologia tradicional judaico-cristã defenda a existência de um único autor, respaldada por Eclesiástico 48:24-25, existem fortes evidências de que o livro foi obra de mais de um autor, merecendo destaque o início do capítulo 40, onde se verifica a descontinuidade entre o Primeiro e o Segundo Isaías, pois ocorre uma mudança abrupta do século VIII AC para o período do Exílio na Babilônia (século VI AC), não se fala mais uma única vez de Isaías e a Assíria é substituída pela Babilônia, cujo nome é mencionado com frequência, assim como o nome de Ciro II, rei dos medos e persas.[5] Havendo estudos que indicam que dos 66 capítulos do livro, menos de 20 foram escritos pelo profeta do século VIII AC que viveu durante os governos dos reis Joatão (739-734 AC), Acaz (734 ou 733 - 716 AC) e Ezequias (716 ou 715 - 699 ou 698 AC), estando tais capítulos concentrados na primeira parte do livro, que engloba os caps. 1 a 39, também conhecida como Proto-Isaías ou Primeiro Isaías.
Portanto, para alguns críticos o Livro de Isaías é uma coletânea de profecias proféticas de épocas bem diferentes, cuja redação final deve ter acontecido por volta de 400 AC, ou mesmo mais posteriormente. Segundo os mesmos, trezentos anos depois da morte de Isaías ainda se atualizavam suas palavras, pois mesmo as profecias da época dele foram relidos na perspectiva pós-exílica. A afirmação crítica baseia-se em que, seria impossível prever com mais de 300 anos de antecedência o nome do Rei (Ciro) que destruiria Babilônia, conforme declarado no livro de Isaías.
Porém, para outros estudiosos, verifica-se que, antes dos séculos XX e XI nunca se questionou sobre a, segundo sua crença, singularidade da autoria do livro de Isaías. Por exemplo, nos rolos de Isaías, conforme encontrados próximo ao Mar Morto, datados do Terceiro Século AC, a parte que se refere à divisão de autores afirmada por críticos (que seria do capítulo 40 em diante) não apresenta quaisquer alterações ou indicações na coluna de que o autor diferisse. É digno de nota que, nesses escritos, a última linha do que hoje chamamos de capítulo 39 do livro de Isaías é sucedida, na mesma linha, pelo que hoje chamamos de capítulo 40. Foi somente na Idade Média que os rolos tornaram-se livros e posteriormente, foram divididos em capítulos e versículos. Portanto, segundo a evidência dos pergaminhos e rolos encontrados próximos ao Mar Morto, e para os copistas (os rolos possuem uma diferença de apenas 400 anos dos escritos originais), não havia pluralidade de escritores dos livros. Para os que defendem a unicidade da escrita do livro de Isaías, os copistas, se soubessem que havia mais de um escritor, assim declarariam e fariam uma clara divisão das partes do livro, assim como ocorre no que temos hoje compilado dos livros de Salmos e Provérbios, além de outros.
Outro fator ainda que, para os defensores de que Isaías é o único escritor do livro que hoje leva o seu nome é de que, segundo a tradição judaica, em hipótese alguma os copistas poderiam substituir palavras ou trocar seu significado. O cuidado ao fazer as cópias era muito grande, havendo revisores para o trabalho. Os copistas acreditavam que, se alterassem os escritos, poderiam sofrer maldições divinas. Porém, é de unânime concordância que os erros gramaticais são de fato encontrados, porém, não de sentido.
Hoje, não há suficientes provas para afirmar de modo veemente os dois lados da história, sendo que, ambos os lados, baseiam-se em teorias (de ambos os lados, fundamentadas na história e na ciência). Isso é ocasionado por, até o momento, os escritos originais não terem sido encontrados. Somente com os escritos originais, datados dos tempos que o livro de Isaías abrange poder-se-ia dar um ponto final na discussão. Isso é pouco provável de acontecer, em vista do passar do tempo e da deterioração. Portanto, os escritos mais confiáveis e antigos que contemos hoje são os encontrados próximo ao Mar Morto.
O horizonte de leitura do livro completo de Isaías é o da época persa e da comunidade judaica pós-exílica.

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